TRADUZINDO

The Secret History of Wonder Woman

William Moulton Marston, professor de psicologia, chegou em casa e disse à esposa Elizabeth que tinha um caso com uma aluna chamada Olive Byrne. William ainda amava Elizabeth, mas também amava Olive. Sugeriu a Elizabeth que Olive morasse na casa deles. A três. Bom, não sugeriu: William disse a Elizabeth que se Olive não morasse com eles, ele saía de casa. Elizabeth saiu para caminhar e pensar. Ela queria trabalhar e ter filhos. Se Olive cuidasse dos filhos enquanto ela trabalhava, tudo bem. William topou. William passou a ter um quarto com Elizabeth e um quarto com Olive. Tiveram quatro filhos: dois de Elizabeth, dois de Olive, os quatro de William. William dizia-se feminista. Acompanhou a campanha pelo voto feminino nos EUA (instituído em 1920), dizia que Margaret Sanger (ativista pelos métodos contraceptivos e tia de Olive) era exemplo de pessoa que faz o mundo avançar e que sua vida a três (às vezes quatro: ainda tinha Marjorie) seria seguida por muitos no futuro.

William Moulton Marston – com Elizabeth, com Olive, com os filhos, com Marjorie, com a inspiração em Margaret Sanger – criou a Mulher-Maravilha.

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Esta semana terminei de traduzir The Secret History of Wonder Woman, de Jill Lepore. Sai pela Editora Best Seller provavelmente só em 2016. É um livrão: 430 páginas, sendo quase 100 só de notas que comprovam a pesquisa delicada da autora em arquivos de universidade, documentos pessoais, jornais de época e entrevistas para conseguir alinhavar a – vou empolar – biografia intelectual da Mulher-Maravilha.

E que texto excepcional. Assim como em Marvel Comics: A História Secreta, gostei mais do estilo, da inteligência do texto, do que da história que é contada – a qual, nos dois casos, eu leria nem que fosse só uma listinha cronológica. Lepore é historiadora, professora de Harvard, tem uma produtividade monstro – 10 livros desde 2002, sempre pesadinhos – e colaboradora regular da New Yorker. Na semana passada mesmo saiu um texto dela sobre o Jospeh Mitchell que é um primor. Foi na New Yorker também que ela publicou uma prévia do livro da Maravilha (incluindo algumas coisas que o livro não tem), no ano passado. Ela deu entrevista no Colbert, também no ano passado.

Li o final do livro umas 5 ou 6 vezes e me emocionei em todas.

A vida a três de Marston – que também inventou o detector de mentiras, que virou o laço da verdade da Maravilha – não é segredo desde a década de 70 (Marston morreu em 1947, Olive em 1990, Elizabeth em 1993), mas o livro tem muita informação inédita, cavada junto à família.

Uma das coisas que eu descobri durante a tradução é que outra criação de Marston, sua teoria psicológica das emoções, anda sendo revitalizada… inclusive no Brasil, onde o livro que ele publicou em 1928, As Emoções das Pessoas Normais, saiu no ano passado para apoiar a divulgação de uma (se entendi direito) uma metodologia de coaching. É bem curioso dar uma olhada aqui: //www.disc.com.br/

E a Mulher-Maravilha, com sorte, vai estar na moda ano que vem com a cara de uma modelo com treinamento do Exército de Israel. Queria muito saber o que Marston, Elizabeth e Olive diriam.

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