TRADUZINDO

Contabilidade, 2016

Sim, 2017 já mudou de estação, já mudou de trimestre, já estou atrasado na declaração do IR e ainda não fiz minha contabilidade tradutória de 2016. Mas preciso, para fins de: manter a tradição. Seguem números e alguns comentários rápidos sobre o que eu traduzi em 2016.

Foram 42 projetos de tradução2 de revisão de tradução e mais um em que eu fui meio tradutor/meio revisor. 6,9 milhões de toques, 2 mil e poucas páginas de prosa e 5 mil e poucas páginas de HQ. De prosa, foram 3 livros de ficção, 2 livros de não-ficção (sobre física!), 1 autobiografia e  4 sobre quadrinhos. De quadrinhos, teve 4 gréfic nóveus, 2 adaptações literárias 26 coletâneas de gibi-comic-mainstream (três desses provavelmente nunca vão sair). No total, saíram 38 projetos com meu nome durante o ano, incluindo coisas traduzidas em anos anteriores. Foi praticamente tudo menos que no ano passado, mas 2016 foi merda para quase todo mundo.

Foi um ano em que saíram muitas traduções que estavam na gaveta das editoras há algum tempo. Repeteco saiu em outubro e gerou um bafafá divertido – mas era um projeto que eu tinha acabado mais de dois anos antes. Reportagens, do Joe Sacco, saiu em agosto e tinha sido entregue três anos e meio antes. Mago das Palavras, a biografia do Alan Moore, saiu em novembro depois de dois anos. Lumberjanes (que comentei aqui no blog) levou mais de um ano. A gente acaba esquecendo das dificuldades de cada um. E nem ouso ler, pois sou otimista de que faria uma tradução melhor do que aquela de dois ou três anos antes.

Foi o ano dos Tintinsas três edições fac-símile de alguns dos primeiros álbuns tintinescos, pela Globo. Foi o ano d’Os 13 Tique-Taques, a tradução em que eu me dei mais liberdade até agora (e que me rendeu conhecer a Flip). Foi o ano dos meu maior desafio de tradução até então: um conto do Chuck Palahniuk, chamado “Eleanor” (deve sair em breve pela LeYa). Foi o ano em que esse maior desafio foi superado por um maior: Thing Explainer, um projeto maluco do Randall Munroe em que eu tinha que (re)inventar um léxico de 998 palavras para explicar coisas complicadas (deve sair este ano pela Companhia das Letras). E foi o ano do Repeteco.

Voltando ao Chuck Palahniuk: traduzi Clube da Luta 2, traduzi Assombro e traduzi Make Something Up, o livro que inclui “Eleanor”. Todos os livros dele são experiências devastadoras pro histórico do seu navegador e motivo pra muita publicidade automática bizonha que me aparece. É inevitável. Somando outros dois dele que eu havia traduzido e mais um novo, virei um expert em Palahniuk. Não acho que isso seja uma coisa boa.

Grant Morrison também rende algumas googladas que comprometem a moral. Já escrevi aqui sobre Os Invisíveis e o fim da publicação no Brasil. Em 2016, terminei Patrulha do Destino – o último volume inclusive já saiu, este ano. Ainda teve Kid Eternidade e todas as 450 páginas de Zenith (que saem este ano pela Mythos, em dois volumes). Estou andando em cronologia reversa com o Morrison.

Tive o privilégio de trabalhar com material premiado, como Ruínas do Peter Kuper (melhor graphic novel no Eisner 2016), Os últimos dias do Surfista Prateado de Slott/Allred (melhor edição no Eisner 2016), e outros bem comentados, como Mary wept over the feet of Jesus, do Chester Brown e My Friend Dahmer, do Derf. Jornada nas Estrelas: Cidade à Beira da Eternidade provavelmente foi minha única oportunidade na vida de chegar perto de um texto do Harlan Ellison.

Tirei férias de tradução durante todo fevereiro para acabar (dentro do possível) a tese de doutorado. Na retomada, já fiz algumas coisas curiosas: Unflattening, do Nick Sousanis, dois Alan Moores e um autor que eu queria conhecer melhor há bastante tempo chamado Chuck Klosterman. E semana passada uma editora perguntou se eu queria traduzir o livro em que se baseia uma HQ que eu já estava traduzindo para outra editora. E, sim, foi coincidência. O ano tradutório começou legal e espero que siga assim.

Compensando o número menor de traduções, produzi outras coisas: as resenhas para a Folha de S. Paulo, vários textos-Powerpoint sobre efemérides quadrinísticas pro Omelete e a coluna mensal no Blog da Companhia. E, do lado acadêmico, um artigo e a tese, caminhando para os últimos passos. Esse ano acaba.

Importante: mantenho minha lista de traduções completa em ericoassis.com.br e atualizo com mais frequência.

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Verões Felizes

A família vai sair de viagem. A mãe chega ao carro por último e conta os passageiros. “1! 2! 3! 4! 5! 6! 7 comigo!” São ela, o pai e quatro filhos. Dá seis pessoas. Ninguém no carro se manifesta em relação à conta. Quem é o 7? É um detalhe narrativo que pode passar despercebido logo nas primeiras páginas de Verões Felizes. Tanto quanto o próprio Verões Felizes pode passar despercebido por aqui. O álbum de Zidrou e Jordi Lafebre [ . . . ] LEIA MAIS

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Resenhas ilustres

No final de 2015, o Mauricio Meirelles falou que queria testar novos resenhistas de quadrinhos na Ilustrada. Perguntou se eu teria interesse. Eu aprendi a ler jornal com a Folha de S. Paulo. Lá pela segunda ou terceira série, meu pai escolhia textos da Folha para eu praticar leitura de algo que não fosse gibi. Acho que dos 10 aos 20 e poucos anos, eu li todas as resenhas de cinema. Ficava em êxtase quando publicavam alguma coisa sobre quadrinhos. Estudei o Manual de Redação [ . . . ] LEIA MAIS

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Lorde Gato Era Porto: Traduzindo Lumberjanes

Lumberjanes: Cuidado com o Sagrado Gatinho saiu no final de 2016 no Brasil (e em Portugal). Foi minha primeira tradução para a Editora Devir. A série original, norte-americana, tem só três anos de idade. Foi criada na Boom!Studios, editora pequena que estava montando uma linha de HQs um pouco mais autoral e para explorar mercados alternativos (alternativos para o mainstream dos EUA). No caso, o de meninas. A premissa: um quinteto de escoteiras que têm aventuras sobrenaturais na floresta. A série já [ . . . ] LEIA MAIS

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COMPRANDO QUADRINISTAS

O Fabuloso Quadrinho Brasileiro de 2016

Faz exatamente um ano e uns dias que a Narval Comix lançou O Fabuloso Quadrinho Brasileiro de 2015, uma coletânea de quadrinho brasileiro que tentou representar o que foi feito de melhor nessa área no período de um ano – exatamente de julho de 2014 a junho de 2015. Rafael Coutinho e Clarice Reichstul organizaram o projeto e me convidaram para ser editor. Eles fizeram um listão de tudo que saiu no período – com o apoio de uma chamada pública [ . . . ] LEIA MAIS

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