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Petty Theft

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Eu já havia lido outro álbum de Pascal Girard, chamado Reunion. Assim como no anterior, Girard conta um trecho de sua vida (ou assim supõe-se) que, seja ou não transformador ou revelador, compõe uma boa dramédia.

Pascal acaba de sair de um relacionamento de nove anos, está morando de favor na casa do amigo e quer trocar a carreira nos quadrinhos pela de funileiro. Ele jura que já trabalhava com construção – apesar da aparência frágil e torta denunciá-lo quadrinista. Fora isso, a ex periodicamente manda entregar caixas de seus livros e outros souvenires – como uma cabeça gigante dela em papier-machê. Um dia, ele vê uma garota roubando livros na livraria. Ele começa a investigar a garota por pura curiosidade, embora diga que sua motivação seja a moralidade e o espírito detetivesco.

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A soma e a intercalação entre todos estes elementos é o roteiro do álbum. E o primeiro ponto forte de Girard é este: com tantos fatos para contar e relacionar, ele consegue organizar o enredo de forma que tudo se completa, tudo contribui para a evolução da trama de forma clara e, claro, engraçada.

A comédia pende para a autocomiseração, para a existência por vezes patética de Pascal. Seria fácil compará-lo aos personagens de Woody Allen, assim como ao lovable loser que tem aparecido bastante nos quadrinhos e no cinema dos EUA. Digamos que Pascal é um meio termo entre os dois. Este é seu segundo ponto forte: um estilo de comédia particular.

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O terceiro ponto forte é o traço. As linhas tremidas de Girard e a aparente facilidade para representar personagens e ambientes, decupar as cenas e construir transições claras (ele nunca usa recordatório) coloca-o naquela categoria de quadrinista que dá a impressão de que compõe uma página de HQ tão fácil quanto escrevemos lista de supermercado. É bem possível que nem tudo lhe saia tão fácil, mas as páginas e o álbum completo transmitem esta desenvoltura – como se aquilo lhe fosse algo sem esforço.

Petty Theft tem 104 páginas e saiu em inglês pela Drawn & Quarterly, com tradução de Helge Dascher. O original em francês (Girard é do Québec) chama-se La Collectioneuse e tem uma capa mais legal.

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