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Amores Minúsculos

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Amores Minúsculos se apresenta com uma ideia simpática: trocar as histórias de grandes paixões pelas paixões pequenas, passageiras ou do adjetivo no título. Os textos em torno da HQ falam que os grandes amores, os de contos de fada e da maioria dos livros, estragam o que a gente espera do mundo. “Acredito no ‘Grande Amor’, mas sinceramente não acho que seja feito para todos os mortais”, escreve na orelha o músico Evripidis Sabatis.

As três histórias e meia do quadrinista Alfonso Casas Moreno, porém, seguem o padrão dos continhos românticos com personagens de 20 e poucos anos. Tem o menino e a menina que se conhecem por acaso numa festa e um começa a descobrir as idiossincrasias do outro. Tem o cara que sempre desenha um outro cara que vê na rua, e o que acontece quando este segundo cara descobre o bloquinho de desenhos do primeiro cara. E um terceiro conto sobre um casal, de novo hétero, que tem tudo para dar errado (e dá). As três histórias se interligam – coadjuvantes de uma viram protagonistas de outra – e se amarram na meia história de epílogo.

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O traço de Alfonso Casas é um dos grandes atrativos da HQ. Lembra ilustração de moda, pelos corpos mais alongados pela atenção que ele dá a cabelos e figurino. Aliás, o desenho meticuloso das roupas tomou bastante tempo de Casas – ou é justamente o que ele mais gosta de desenhar.

amoresminusculos A ambientação em Barcelona, onde o autor mora, também é interessante. Há o contraste entre os jovenzinhos descolados anos 00 entre prédios e praças antigos. Também fica a impressão de ser uma cidade onde se anda mais a pé do que de carro (apesar de um automóvel ter importância numa das histórias). É um estilo de vida barceloneta, pelo menos para a idade dos personagens, bem capturado.

Contudo, a promessa que eu tinha identificado no tema do livro – sobre os amores passageiros – não aparece. Embora nem tudo acabe em romantismo e felicidade, os personagens saem de cena com aquele final em aberto que remete aos amores que duram para sempre (que sejam eternos enquanto minúsculos). O realismo que se pretendia acaba ficando no conto de fadas.

amores-minusculos-alfonso-casas-02 Amores Minúsculos saiu em 2012 pela Edicions de Ponent, tem 140 páginas e este ano foi adaptada para o teatro. Obrigado ao Arthur Tertuliano pela sugestão.

Amores Minúsculos

Alfonso Casas

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