LENDO

Resenhas ilustres

No final de 2015, o Mauricio Meirelles falou que queria testar novos resenhistas de quadrinhos na Ilustrada. Perguntou se eu teria interesse.

Eu aprendi a ler jornal com a Folha de S. Paulo. Lá pela segunda ou terceira série, meu pai escolhia textos da Folha para eu praticar leitura de algo que não fosse gibi. Acho que dos 10 aos 20 e poucos anos, eu li todas as resenhas de cinema. Ficava em êxtase quando publicavam alguma coisa sobre quadrinhos. Estudei o Manual de Redação da Folha na faculdade.

O que que eu ia responder?

Este ano publiquei quase uma resenha por mês. Geralmente é a Folha que escolhe o que eu vou resenhar, mas já aceitaram algumas sugestões. Os textos às vezes saem bem depois da entrega (pode levar até quatro meses), mas também aconteceu de eu entregar e sair em dois dias. É imprevisível. A versão publicada também fica bastante diferente da que eu entreguei, mas é parte do jogo. Os títulos e linhas de apoio, 90% das vezes, não são meus.

Também não me acerto muito com a classificação em estrelinhas. Cá entre nós: não dê bola para as estrelinhas. O que eu quero dizer sobre a HQ está no texto, não quantificado em quanto ela brilha. Minha meta é sempre propor um jeito (entre vários) de ler o que estou resenhando e defender por que estou lendo daquele jeito. E, sendo a Ilustrada, penso muito no leitor que não é superversado em quadrinhos ou cultura pop, mas que tem cabeça aberta.

O que já saiu:

Cânone Gráfico 2
Adaptações de clássicos para HQ respeitam demais original

Uma Vida Chinesa
Em HQ, virtuose do nanquim faz bom relato da China de Mao

Macunaíma
‘Macunaíma’ em quadrinhos é antropofágico a seu modo

Bagagem
Desenhos de Gervasio Troche são descanso à polarização ferrenha

Bulldogma
Leitor é abduzido por mundo de ‘Bulldogma’, HQ de Wagner Willian

Sharaz-De
Italiano Sergio Toppi ousa em HQ sobre as ‘Mil e Uma Noites’

Soppy
Lado breguinha do amor sem pieguice é trunfo de ‘Soppy’

O Mundo Segundo Jouralbo
Variação de traços dá potência às tramas de ‘O Mundo Segundo Jouralbo’

Sopa de Lágrimas
HQ é boa introdução ao universo de Gilbert Hernandez

Choques Futuristas
Coleção reúne início de carreira promissor de Alan Moore

Carolina
HQ tenta ver o mundo pelos olhos de Carolina Maria de Jesus

O Enterro das Minhas Ex
HQ ‘O Enterro das Minhas Ex’ narra amor lésbico com sutileza

O Diabo & Eu
História sobre lenda do blues ‘amiga do diabo’ é só petisco

Os Últimos Dias de Pompeo
Relato sobre o vício, quadrinho traz o ápice de Andrea Pazienza

Ainda é bem estranho ler “ÉRICO ASSIS, COLABORAÇÃO PARA A FOLHA”.

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Lorde Gato Era Porto: Traduzindo Lumberjanes

Lumberjanes: Cuidado com o Sagrado Gatinho saiu no final de 2016 no Brasil (e em Portugal). Foi minha primeira tradução para a Editora Devir. A série original, norte-americana, tem só três anos de idade. Foi criada na Boom!Studios, editora pequena que estava montando uma linha de HQs um pouco mais autoral e para explorar mercados alternativos (alternativos para o mainstream dos EUA). No caso, o de meninas. A premissa: um quinteto de escoteiras que têm aventuras sobrenaturais na floresta. A série já [ . . . ] LEIA MAIS

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COMPRANDO QUADRINISTAS

O Fabuloso Quadrinho Brasileiro de 2016

Faz exatamente um ano e uns dias que a Narval Comix lançou O Fabuloso Quadrinho Brasileiro de 2015, uma coletânea de quadrinho brasileiro que tentou representar o que foi feito de melhor nessa área no período de um ano – exatamente de julho de 2014 a junho de 2015. Rafael Coutinho e Clarice Reichstul organizaram o projeto e me convidaram para ser editor. Eles fizeram um listão de tudo que saiu no período – com o apoio de uma chamada pública [ . . . ] LEIA MAIS

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Tradução invisível

Comecei a fazer traduções para a Panini em 2009. Para a linha Vertigo, bem específico. Na época, o relançamento da Vertigo ainda não tinha sido divulgado. Tentei me meter no plano, sugerir séries, dar dicas. Leitor de Vertigo desde criancinha: eu. Dei um monte de opiniões. Uma das poucas coisas que eu falei de brincadeira era que, se algum dia publicassem Os Invisíveis, eu prometia que me esforçava para traduzir. Porque, haha, tinha tanta chance de publicarem Invisíveis quanto, sei lá, [ . . . ] LEIA MAIS

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Contabilidade, 2015

Meu último post tem quase quatro meses e já estamos no final de fevereiro. Alguém ainda aguenta retrospectiva 2015? Bom, isso é mais pra mim. Já virou tradição fazer minha contabilidade em público, revendo as traduções (e outros projetos) em que eu me envolvi no ano que passou. Fica de registro de uma época. Vamos lá. Me envolvi em 51 projetos de tradução em 2015. Foram 7,7 milhões de toques, 2400 páginas originais de prosa, quase 6000 originais de HQ. Mais [ . . . ] LEIA MAIS

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