LENDO

Dentes de Elefante, Pedro Cobiaco

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Na surdina, pelo menos para o tiozão aqui (*), Pedro Cobiaco publicou a melhor HQ brasileira de 2014. Ou uma das melhores, pois o ano foi concorrido. Não é um álbum, não saiu em antologia, nem saiu direito no site dele. Está lá no Flickr do Pedro, com uma esticadinha para o Facebook. Tem 4 páginas, sendo que a última é avantajada. O nome é Dentes de Elefante.

Os quadrinhos do Cobiaco, tanto este quanto Harmatã (**), são aquelas letras de música que você entende mas não sabe explicar. As palavras são bonitas – muito bonitas -, mesmo que não estejam todas lá, e você tem que captar o que se quer dizer pela melodia. Numa HQ, a melodia está no traço, na cor, no ritmo que você cria com os quadros. Estou lendo Dentes de Elefante em repeat.

(* Desculpe a tiozãozice – e que isso soe como puxão de orelha, o que aumenta o nível tiozão – mas esse negócio de publicar HQ  no Facebook, no Flickr, no Instagram, me soa errado. Tem seu valor de circulação, de curtidas e que tais, mas a circulação, as curtidas e os que tais são transitórios, porque esses serviços são transitórios por definição. Repare o  que eu sublinhei ali: publique nas redes, mas também ache uma casinha digital que seja mais permanente. No caso dos quadrinhos, isso não é problema só das HQs em si, mas também da crítica brasileira de quadrinhos – textos maravilhosos que somem depois de três dias de likes. Mas ok, parei, chega de tiozãozice.)

(** Harmatã está completa, gratuita, no issuu.)

Há alguns dias Cobiaco deu uma entrevista curta mas bem interessante ao Blog da Itiban. Um pedacinho:

Me interessa o que eu vou descobrir de novo sobre quadrinhos enquanto faço aquela obra (desde as menores até as maiores descobertas), me interessa o que eu vou absorver de cultura fazendo minhas pesquisas pra cada trabalho, me interessa ir acrescentando nas minhas novas histórias tudo que eu tenho aprendido da vida desde as últimas (não que eu precise planejar, esse é o tipo de coisa que acontece naturalmente), me interessa tudo, de verdade. Talvez acima de tudo me interesse a verdade maior da história: a alma daquilo que eu tou contando, o sentimento que eu tou tentando espalhar por cada quadro de cada página, o cavalo que vai puxar toda a carroça, sabe? Me interessa o ritmo, sobre como às vezes ler uma história é que nem assistir um corpo respirando. 

Perguntei para o Pedro se podia publicar Dentes de Elefante aqui. Agradeço a ele por topar. Clicando nas páginas você acessa versões maiores das imagens, via Flickr.

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